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Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

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sábado, 15 de julho de 2017

A reducao da pobreza, EM TODO O MUNDO - Angus Hervey (Future Crunch)

Leiam neste link, para visualizar corretamente o texto, e os gráficos dinâmicos:
https://medium.com/future-crunch/global-inequality-is-getting-better-fdbfde215b73

O mundo nunca teve TÃO POUCOS POBRES nos últimos 200 anos, e o ritmo de redução da pobreza absoluta tem sido avassalador desde a queda do muro de Berlim, que significou, simbolicamente, o fim do socialismo e a retomada da globalização, o que significa que a economia de mercado foi, SIM, eficiente para reduzir a miséria absoluta, eliminar muitos bolsões de pobreza, e colocar muita gente, milhões de pessoas, numa classe média baixa plenamente aceitável para os padrões seculares de pobreza disseminada. Muito disso se deve à China e um pouco menos à Índia, mas outros países, em outras regiões, também experimentaram redução nos níveis de pobreza absoluta. Hoje em dia não é incomum achar um catador de rua, um mendigo, típico em todas as cidades do chamado "mundo em desenvolvimento", com o seu celular, se comunicando com familiares ou conhecidos. Mesmo rurais afastados conseguem ter celular. Isso é economia de mercado.
Enganam-se redondamente, estupidamente, todos os antiglobalizadores, também chamados de altermundialistas, que se mobilizam contra a economia de mercado, contra o capitalismo. São uns idiotas. E enganam-se quadradamente todos aqueles economistas à la Piketty que acham que o principal problema do mundo é a desigualdade, e que esta deve ser reduzida. Bobagem. O principal problema do mundo ainda é a pobreza, e todos os economistas deveriam estar mobilizados em acabar com a pobreza, não em reduzir o número de ricos e o seu patrimônio. Deveriam estar ocupados em convencer os políticos que eles devem reduzir a pobreza, não em produzir igualdade.

Paulo Roberto de Almeida  
Brasília, 15/07/2017





The Decline of Poverty

Your opinions about global inequality really depend on where you’re standing


If you’re over the age of 18, you probably grew up with the story of how the world is divided into the rich and the poor.


That story was forged during a time of real global inequality. In 1970, around 60% of the world’s 3.7 billion people lived in extreme poverty. If you plotted the world’s income on a distribution curve, it looked like camel humps. There was a small, high income group of countries up at the front, and then a bigger low income group at the back.
For decades the language that we created to describe this world (First vs. Third, developed vs. developing) dominated popular discourse, which is why it’s so deeply ingrained for so many of us.
Which is a pity, because that world doesn’t exist any more.
If you’re willing to re-examine some of your old fashioned ideas, you’ll be pleasantly surprised to learn that the story has changed.
Today, only 0.7 billion of the world’s 7.5 billion people live below the extreme poverty line. That’s less than 10% of the world’s population. Not only is this the lowest proportion of people in extreme poverty ever, it’s also the lowest total number in more than 200 years.
It’s the great economic success story of all time. To paraphrase the indespensible Max Roser, the front page headline every day should read:
Since yesterday, 250,000 people have been lifted out of bone-crushing, one-meal-a-day, soul-destroying, no-dentist, no-doctor, no-electricity, single accident-means-life-and-death, unrelenting, extreme poverty.
It’s worth diving into this in a bit more detail.
For most of recorded history, only a tiny elite enjoyed higher standards of living. By far the majority of people were dirt poor. That’s how things stayed. Inequality wasn’t a social issue, it was just the way the world worked. In the last 200 years this has changed dramatically.

Source: Future Crunch (2017)

Poverty has been falling continuously despite the world’s population increasing seven fold during that time. And since the fall of the Berlin Wall, that process has accelerated, with an average of 47 million people lifted over the extreme poverty line every year for the last 25 years.
A lot of this is thanks to China. Between 1978 and 2010, the country’s economy grew at an average pace of 10% per year, lifting an astonishing 800 million people out of extreme poverty. And since 2010 inequality in China has been falling too, thanks to minimum-wage regulations and increases in the social welfare state.
It’s not just China though. Poverty reduction has happened in every region of the world. In 1981 almost one third of the non-Chinese world population was living in extreme poverty. By 2013, this share had fallen to 12%.

Source: World Bank (2017)

The amount of money that would be theoretically needed to lift everyone in the world out of extreme poverty is now about half of what it was a decade ago. This shows that not only are we reducing the incidence of poverty, we’re making inroads into its intensity. And it’s happening at every income level. The income cutoff of the world’s poorest 10% has doubled in the last decade, and so has the global median income (from $1,100 a year to $2,010 a year).
That means that the world today looks very different to the one that many of us still have in our heads. The double camel hump from the 1970s has disappeared, to be replaced by something that now looks a lot more like a normal distribution curve. Everyone who makes it past the vertical poverty line you see below can now afford a bicycle, basic healthcare and a mobile phone.
The lives of the bottom billion are steadily improving and the world’s big aid agencies are now saying that they think we might see the end of extreme poverty within our lifetimes.

Source: Gapminder (2017)

So the next time you read an article lamenting that inequality is the greatest economic issue of our time, take a moment and ask yourself who’s writing it. Your opinion really depends on who you care about, and where you stand.
If you’re a car worker in Guangzhou you probably feel a lot better about the state of the world than if you’re a car worker in Adelaide. If you’re a journalist in New York whose previously stable, middle class income is now a lot less certain, you’re a lot more likely to write articles about inequality. But if you’re a tech journalist in Kenya reporting on Nairobi’s amazing boom, the subject is less likely to appear.
It’s true that globalisation has been unkind to many people, especially in places like the United Kingdom and the United States. These countries have been eating their poor for decades, and the political consequences have become very apparent in the last few years. But we are talking about a very small proportion of the world’s total population. How many column inches have been dedicated to the livelihoods of a few thousand coal miners in the US, compared to the few hundred million people in Latin America, almost all of whom live in countries where inequality has dropped in the last decade?
At the risk of sounding callous... if the fate of your fellow global citizens concerns you more than the fate of the working class in a few OECD countries, you should be feeling pretty happy about what humanity has achieved in the last 25 years.
We should continue to highlight the plight of those who are still living in extreme poverty. And we should continue to insist that our political leaders enact policies that reduce inequality within our own countries. But we also need to acknowledge our global victories, and celebrate success.
For the average human being on the planet today, the world has never been a better place. That story doesn’t get told nearly enough.



Future Crunch fosters intelligent, optimistic thinking for the future. We help people understand what’s on the frontiers of science, technology and human progress, and what it means for humanity

segunda-feira, 3 de julho de 2017

A redução da pobreza no mundo - Mises Brasil

Estamos vivenciando uma maciça redução na pobreza global
A pobreza extrema despencou à medida que a economia de mercado se expandiu
Mises Brasil, diversos autores, 28 junho 2017
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2712 (para os gráficos)

A libertação do indivíduo em relação à destituição e às incertezas da agricultura de subsistência é uma das maiores façanhas do mundo moderno. Cada vez mais pessoas têm uma expectativa de vida maior e vivem com mais saúde e com mais conforto em relação a qualquer outro período da história humana.
Reconhecer o enorme e positivo efeito desta transformação gradual é de suprema importância não apenas para contrabalançar o crescente pessimismo que nos acomete, como também para não nos esquecermos jamais do arranjo que permitiu a ocorrência deste fenômeno.

Entendendo a pobreza de maneira errada
O Banco Mundial recentemente relatou que as amenidades básicas para se ter uma vida digna estão disponíveis para os mais pobres do planeta em um volume jamais visto em toda a história da humanidade. E por uma grande margem. Em 1820, aproximadamente 95% da população mundial vivia na pobreza, com uma estimativa de que 85% vivia na pobreza "abjeta". Em 2015, menos de 10% da humanidade continua a viver em tais circunstâncias.
Não obstante sua drástica redução, a maioria das pessoas está totalmente alheia ao fato de que a pobreza extrema vem caindo ao longo do tempo. Por exemplo, em uma recente pesquisa, apenas 5% dos americanos sabiam que a pobreza extrema global havia sido reduzida à metade nos últimos 20 anos. Já nada menos que dois terços dos pesquisados disseram acreditar que ela havia dobrado ao longo deste período.
Se as pessoas estivessem mais cientes do nosso impressionante progresso na redução da pobreza global, talvez seríamos menos pessimistas quanto à atual situação ou quanto às perspectivas para o futuro.
Comecemos com este famoso gráfico em forma de "bastão de hockey", do projeto Our World in Data, sobre a prosperidade humana. Ele mostra a criação de riqueza. Ele mostra a evolução do PIB real per capita para vários países e para o mundo, desde o ano 1.000.
Gráfico 1: evolução do PIB real per capita para vários países e para o mundo, desde o ano 1.000

Observe que o ponto de virada coincide exatamente com a Revolução Industrial. A adoção de bens de capital movimentados por motores a vapor em conjunto com outras tecnologias que ajudaram a aumentar a produtividade desencadearam uma revolução no bem-estar humano ao redor do globo.
Desde então, a mente humana em conjunto com a maior oferta de mão-de-obra disponibilizada pelo crescimento populacional criou o motor a vapor, o tear têxtil automático, a linha de montagem, a orquestra sinfônica, a ferrovia, a empresa, a imprensa a vapor, o papel barato, a alfabetização universal, o aço barato, a placa de vidro barata, a universidade moderna, o jornal moderno, a água limpa, o concreto armado, a luz elétrica, o elevador, o automóvel, o petróleo, o plástico, meio milhão de novos livros em inglês por ano, o milho híbrido, a penicilina, o avião, o ar urbano limpo, direitos civis, o transplante cardíaco e o computador.
Novas fontes de energia foram dominadas e novos e mais modernos computadores entraram em cena. Hoje, computadores ao redor do mundo estão conectados entre si pela internet e se tornaram tão pequenos ao ponto de caber em nosso bolso. Temos literalmente acesso a todo o conhecimento do mundo na palma de nossa mão. Bens, serviços e idéias cruzam o globo, possibilitados por um aumento da produtividade humana totalmente impensável há 50 anos.
E isso elevou imensamente nossa riqueza.

Mas e quanto à pobreza?
Como mostra o próximo gráfico, também do projeto Our World in Data, a pobreza extrema está em declínio ao mesmo tempo em que a população mundial está aumentando.
A área vermelha mostra o número de pessoas ao redor mundo vivendo na pobreza extrema; a área verde mostra o número de pessoas ao redor do mundo fora da extrema pobreza. ('Extrema pobreza' é definida como um nível de consumo diário menor que US$ 1,90 por dia, com o valor já ajustado para a inflação e para as diferentes realidades de preço de cada país).

Gráfico 2: a área vermelha mostra o número de pessoas ao redor mundo vivendo na pobreza extrema; a área verde mostra o número de pessoas ao redor do mundo que não estão na extrema pobreza.

Observe que a redução da pobreza extrema em escala global é recente. Vale lembrar que o modo padrão durante a maior parte da história humana sempre foi a pobreza. Com efeito, a pobreza sempre foi a norma e a condição natural e permanente do homem ao longo da história do mundo. E esta se manifestava em conjunto com todos os seus problemas.
Porém, desde 1970, tem havido um rápido crescimento no número de pessoas vivendo acima da linha de pobreza extrema e uma drástica redução no número de pessoas vivendo abaixo dele. Em 1970, aproximadamente 60% dos 3,7 bilhões de habitantes deste planeta ainda estavam relegados à pobreza extrema. Hoje, esta cifra está abaixo de 9%.
E é importante ressaltar novamente: a pobreza extrema está em declínio ao mesmo tempo em que a população mundial está aumentando.
Hoje, uma pessoa sai da pobreza extrema a cada segundo, graças a melhores sistemas econômicos, a um maior conhecimento adquirido, e a melhores e mais baratas tecnologias, as quais já chegam a quase todas as áreas do globo. Apenas no ano passado, mais de 32 milhões de pessoas escaparam da pobreza, reduzindo a porcentagem da população mundial que vive abaixo da linha internacional da pobreza extrema de 9,2% para 8,7%. A ONU estima que outros 79 milhões de pessoas passarão para cima da linha da pobreza extrema até 2020.

Quanto menos livres, mais pobres
O World Poverty Clock fornece uma contagem em tempo real do número de pessoas que saíram da pobreza hoje. O portal também informa as diferentes taxas de progresso de cada país, mostrando quais são aqueles que estão a caminho de eliminar a pobreza extrema até 2030.
As taxas de aprimoramento variam por país. Algumas nações desenvolvidas já eliminaram completamente esta forma de destituição extrema, ao passo que outros países, como Índia e China, estão vivenciando rápidas melhorias.
A África continua uma área com um decepcionante e instável progresso. Alguns países, como Mauritânia e Etiópia, estão no caminho de cumprir o objetivo de eliminar a pobreza extrema até 2030. Infelizmente, vários outros países do continente, como a República Democrática do Congo, estão indo na direção oposta, com mais pessoas caindo para a pobreza extrema a cada dia.
Mas eis a constatação importante: a expansão da liberdade econômica coincidiu com a impressionante redução na pobreza extrema global. Aqueles países que mais abraçaram a liberdade econômica foram os que mais vivenciaram uma substantiva redução na porcentagem de pessoas vivendo em destituição. Como mostra o índice Economic Freedom of the World (Liberdade Econômica do Mundo), os países mais economicamente livres têm os menores níveis de pobreza, ao passo que, nos países menos economicamente livres, altos níveis de pobreza persistem.
No eixo Y, a taxa de pobreza. No eixo X, o agrupamento de países de acordo com sua liberdade econômica. Quanto mais à direita, maior a liberdade econômica. Em cada agrupamento há o percentual de pobreza extrema (extreme) e de pobreza moderada (moderate)

Gráfico 3: Liberdade econômica e taxas de pobreza extrema e pobreza moderada. No eixo Y, a taxa de pobreza. No eixo X, o agrupamento de países de acordo com sua liberdade econômica. Quanto mais à direita, maior a liberdade econômica. Em cada agrupamento há o percentual de pobreza extrema (extreme) e de pobreza moderada (moderate). Fonte: Cato Institute et al., "Economic Freedom of the World: 2016 Report."

As evidências são explícitas: para reduzir a pobreza é necessário ter liberdade econômica.
Muitos ainda estão na pobreza
Esta contínua ascensão social e consequente fuga da pobreza representa, de certa forma, a mais importante história que está ocorrendo no mundo, e é a responsável por gerar os maiores benefícios líquidos para o maior número de pessoas na história moderna.
Mas os países ainda têm muito a melhorar. Ainda há aprimoramentos substantivos a serem feitos, principalmente na esfera política, de modo que problemas importantes ainda resistem. Mesmo com todo este progresso, vários países estão indo na direção errada, reduzindo o escopo da liberdade econômica e, consequentemente, criando consequências adversas. A se manter as taxas atuais, mais de 5% da população mundial continuará vivendo na pobreza extrema em 2030. É uma porcentagem menor que a atual, mas ainda assim muito alta.
A drástica e rápida redução no número de pessoas vivendo na pobreza extrema ao redor do mundo é algo a ser celebrado, e ressalta quão importante é continuar difundindo as medidas que permitem que essa grande fuga continue ocorrendo. Instituições estáveis e políticas sensatas são cruciais. Estimular um mercado mais livre e as liberdades pessoais permite às pessoas alcançarem níveis de prosperidade até então inimagináveis há apenas alguns anos.
Como diz Deirdre McCloskey, o segredo está no crescimento econômico gerado por transações econômicas voluntárias em um arcabouço econômico livre. Alguns ousam chamar esse arranjo de capitalismo.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Roberto Campos: liberalismo e pobreza (1996)

O liberalismo e a pobreza
ROBERTO CAMPOS
FSP, São Paulo, domingo, 1 de dezembro de 1996

"Esperemos que os socialistas, que no passado adoraram o Deus da História, aprenderão suas lições. Dar-se-ão conta, afinal, que não apenas a economia de comando fracassou, mas também que o Estado social democrático assistencialista é um Deus que falhou"
Deepak Lal

As esquerdas brasileiras (ou será que só restam canhotos?), mesmo após a derrota mundial do socialismo, que elas consideram apenas um sucesso mal explicado, se atribuem duas superioridades: maior decência ética e maior ternura pelos pobres. Na realidade, sucumbem a interesses do corporativismo burocrático, em detrimento das massas, e reduzem a velocidade do crescimento econômico. E este é o único remédio efetivo para a pobreza.
Um esplêndido livro recente "The political economy of poverty, equity and growth" (Clarendon Oxford Press, 1996), de autoria de dois economistas asiáticos -um indiano, Deepak Lal, e outro birmanês, H. Myint-, ambos testemunhas da ineficácia do socialismo dirigista em seus respectivos países, desmistifica ilusões sobre o socialismo e sobre seu filho dileto, o "welfare state". É uma análise filosófica, política e econômica dos sucessos e insucessos da luta contra a pobreza em 21 países (inclusive o Brasil), entre 1950 e 1985.
As conclusões são interessantes:
. O crescimento rápido sempre alivia a pobreza, independentemente dos esforços da burocracia assistencialista;
. Não há um efeito claro e certo do crescimento sobre a disparidade nos níveis de renda, podendo esta aumentar ou diminuir durante o processo de rápido crescimento. Mas a experiência dos tigres asiáticos desmente o fatalismo da chamada "Lei de Kuznets", segundo a qual a distribuição de renda pioraria inicialmente no desenvolvimento capitalista, para só melhorar depois;
. O instrumento mais eficaz para a correção da pobreza absoluta não é o Estado Interventor, fantasiado de engenheiro social benevolente, e sim o Estado Liberal (ou seja, o Estado Jardineiro).
Este libera as energias produtivas do mercado, tributa pouco e procura assistir os pobres e desvalidos por benefícios específicos para eles direcionados, preferencialmente através de entidades privadas, e não por esquemas globais de seguridade social, administrados por políticos e burocratas.
A pobreza pode assumir vários aspectos: a pobreza "estrutural", ou de massa, que até a revolução industrial parecia uma fatalidade humana; a pobreza "conjuntural", que tradicionalmente advinha de desastres climáticos ou de guerras e conflitos políticos, mas que, na civilização moderna, provém também de ciclos econômicos que provocam desemprego e recessão; e o "desvalimento", ou seja, a situação dos que não têm capacidade de trabalho por deficiências físicas ou mentais.
No tocante à questão global da pobreza, há um conflito histórico entre duas visões do mundo que se apresentam em várias formas e graus: o liberalismo e o dirigismo.
Os liberais insistem em separar duas questões que são habitualmente confundidas no debate corrente: a cura da pobreza e o igualitarismo. A extinção da pobreza absoluta é realizável e deve ser um objetivo social. O igualitarismo é utópico, e todas as tentativas de alcançá-lo geraram ineficiência ou despotismo.
Os liberais certamente lutarão pelo alívio da pobreza; mas rejeitam o igualitarismo socialista. Em outras palavras, consideram a "equidade" desejável e a "igualdade" impossível.
São várias as razões por que é fútil pretender-se, através do intervencionismo governamental, alcançar uma distribuição igualitária das rendas: 1) Deus não é socialista e distribuiu com profunda injustiça os dotes de inteligência, criatividade e diligência; 2) inexistindo normas objetivas de justiça, ou justiciadores sábios e benevolentes, torna-se perigoso tentar corrigir as injustiças divinas pela "justiça social" ditada pelo ideólogo, burocrata ou político de plantão; 3) fazer justiça social pela abolição da propriedade (solução comunista) ou pela tributação distributivista (solução socialista) redunda em tirania política e expurgos em massa, ou então, em perda de eficiência econômica (a supertributação desincentiva a criatividade e o esforço).
Donde ser melhor, como propõem os liberais, que o Estado seja mais modesto: deve buscar a extinção da pobreza absoluta sem tentar implantar o igualitarismo. Por isso os liberais não falam em "seguridade social universal" e não simpatizam com a "previdência pública compulsória". Preferem falar em "redes de segurança para os desvalidos" ou em "garantia de renda mínima" para os realmente pobres. No Brasil, a coisa é ainda mais rudimentar: a cura da inflação é prefácio e precondição da cura da pobreza.
Uma das deformações dos sistemas assistenciais desenvolvidos nas sociais democracias é aquilo que George Stigler chama de "privilégios dos diretores", isto é, a captura de benefícios pela classe média. Esta, nas sociedades industrializadas, é politicamente muito mais numerosa que os ricos e muito mais articulada que os pobres.
Cria-se assim o "Transfer State", isto é, o Estado Transferidor, de que o nosso INSS é modelo exemplar. O "Transfer State" morde os ricos pela tributação e pune os pobres com aposentadorias ridículas, desviando recursos para o bem-estar da classe média -professores, jornalistas, magistrados, militares, congressistas e burocratas, que gozam de aposentadorias precoces, desproporcionais às contribuições. São os chamados "intitulamentos políticos".
A única maneira de se evitar que o poder político da classe média puna a produtividade dos mais eficientes e explore a passividade dos pobres é substituir o sistema de previdência pública compulsória pela capitalização individual.
É o sistema de cadernetas de poupança previdenciária, onde cada cidadão depositaria sua contribuição, sabendo que os benefícios futuros disso dependem. É o sistema chileno, no qual a contribuição compulsória, anteriormente paga ao governo, é aplicada em fundos de pensão privada, não havendo assim transferências imerecidas de renda.
O governo não intervém para redistribuir rendas, limitando-se a fiscalizar o sistema e a complementar a renda daqueles que, ao fim de sua vida laboral, não recebam um mínimo vital para sua sobrevivência. O curioso é que o tão vilipendiado general Pinochet, sem alardear superioridade ética ou sensibilidade social, intuiu duas coisas fundamentais para a diminuição da pobreza -o crescimento sustentado e a correção dos abusos do "Transfer State".
Lal e Myint demonstram a precariedade das tentativas de distributivismo social em países de baixa taxa de crescimento. Durante algum tempo, Costa Rica, Sri Lanka e Uruguai foram exibidos como exemplos de países bem-sucedidos nessa conciliação. Isso durou pouco porque esses países entraram em crises fiscais, ou estagnação econômica, tendo o Uruguai tido que rever seu pesado Estado Providência a fim de absorver ideias do modelo chileno.
A cura da pobreza não depende da decadência do político, da boa vontade do burocrata ou da piedade do clérigo. Depende do crescimento econômico. E as molas clássicas do crescimento continuam sendo a poupança, a produtividade e o espírito empresarial. Priorizar a realidade humilde, em vez de entronizar a utopia fugaz, é a grande virtude do liberalismo.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Uma China sem pobreza em 2020? - Xuio Rios (Observatório da Politica China)

Já fui a muitos seminários oficiais em Brasília, cujo objetivo era o de acabar com a pobreza no Brasil. Ao ritmo atual, a pobreza não acabará em nosso país antes de 2075.
Os chineses prometem fazê-lo dentro de três anos.
Conseguirão?
Duvido, mas eles terão então ultrapassado o PIB per capita do Brasil, o que será uma vergonha para nós, não pela vitória chinesa, mas pelo nosso fracasso.
Paulo Roberto de Almeida

Análisis

Una China sin pobreza

17/03/2017
Xulio Ríos es director del Observatorio de la Política China.

Una China sin pobreza
China se ha planteado como gran objetivo de la agenda política para 2020 la erradicación de la pobreza en el país. Su sola inclusión entre las prioridades es de por sí un elemento a destacar y celebrar. En 1949, cuando triunfó la Revolución, su PIB equivalía al de 1890. Unos 500 millones de personas conformaban una sociedad inmensamente rural, analfabeta y pobre, con el país destrozado por una secuela de guerras, tanto civiles como de agresión. La trayectoria desde entonces a hoy no ha sido ni mucho menos rectilínea; no obstante, especialmente en la fase iniciada a partir de 1978, en este ámbito concreto, el balance es realmente portentoso.
El logro de una sociedad modestamente acomodada, objetivo de larga data planteado por el PCCh, no puede ser alcanzado plenamente en tanto persista una pobreza significativa. En los años transcurridos de reforma y apertura, la explotación de la mano de obra o la intensificación de las desigualdades daban cuenta de una China tan crecientemente rica como insoportablemente injusta. La erradicación de la pobreza no resuelve esas taras pero envía un claro mensaje de otro signo.
En más de una ocasión, buena parte de la sociedad china se ha mostrado poco comprensiva con las acciones de un gobierno que también ha gastado y gasta importantes recursos en la realización de grandes proyectos en el exterior o cuando las grandes giras de las máximas autoridades del país se riegan con promesas de inversiones millonarias a la vez que internamente es tanto lo queda por hacer. Sucumbir a ese contraste no siempre es justo aunque si comprensible cuando el país exhibe la posición 90 en términos de IDH (Índice de Desarrollo Humano).
Aún así, desde el inicio de la reforma en 1978, más de 700 millones de personas han salido de la pobreza en China. A finales de 2015, quedaban 55,75 millones de pobres según fuentes oficiales. El alivio de la pobreza mejoró la vida de 55 millones de chinos entre 2013 y 2016, años de crisis en el mundo, un número mayor que toda la población española. A día de hoy, unos 45  millones de chinos se encuentran en esta situación. Los presupuestos centrales y locales destinaron en 2016 un total de 34.330 millones de dólares a esta finalidad. Unos 8 millones de hogares recibieron micro-créditos para emprender un nuevo rumbo. El estándar actual señala que las zonas peor clasificadas serán las prioritarias.  
A nivel global, China es quien más ha contribuido durante la última década en la lucha contra la pobreza. Con más de 1.300 millones de habitantes, ha sacado de ella a más personas que cualquier otro país del mundo. Son datos incontestables.
Lo que resta es, como siempre, lo más difícil. La estrategia de reducción selectiva de la pobreza implica una gestión más al detalle de los fondos y la disposición de beneficios tangibles. Cuanto más se avance más complejo será pues se requieren actuaciones diversas en materia de infraestructuras (caminos, agua, electricidad…), educación, empleo, salud, vivienda, con proyectos sociales y de desarrollo a la par.
En paralelo a la vigilancia de la reincidencia o el combate a una corrupción especialmente repugnante cuando afecta a la gestión de estos fondos, es importante un manejo adecuado de la reubicación de ciudadanos con escasos recursos que habitan en zonas remotas y de difícil acceso. En esta estrategia, es probablemente la recolocación el aspecto más sensible habida cuenta que puede generar problemas de nuevo tipo relacionados con el desarraigo y la inadaptación.
El traslado de personas de zonas subdesarrolladas a otras desarrolladas (en 2017 se calcula que serán unos 2,43 millones los reubicados) exige un diálogo respetuoso con las comunidades afectadas. En 2016 fueron trasladadas un total de 2,49 millones de personas.
Si China, con todas las garantías exigibles, acredita la consecución de sus objetivos, no solo demostrará que no es imposible acabar con esta lacra sino que le sacará los colores a buena parte del mundo desarrollado.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Angus Deaton e o estudo da pobreza (e da fuga dela) - André Azevedo Alves (Portugal)

Transcrevendo, por sugestão de um leitor deste blog:

Numa obra de difícil catalogação nos moldes ideológicos, Deaton procura explicar o extraordinário processo de fuga à miséria e pobreza generalizada que se desenvolveu ao longo dos últimos três séculos

O Prémio Sveriges Riksbank em memória de Alfred Nobel de 2015 foi atribuído a Angus Deaton, doutorado pela Universidade de Cambridge e Professor há mais de três décadas na Universidade de Princeton. Deaton começou por ser essencialmente um microeconomista centrado na análise do consumo e do rendimento que, gradualmente, alargou o seu campo de investigação a questões de maior abrangência no domínio da economia política institucional e do estudo da pobreza e do desenvolvimento.
A fundamentação do prémio destaca três contributos distintos, mas todos relacionados com a análise do consumo. O primeiro foi o seu trabalho conjunto com John Muellbauer no âmbito da estimação da procura corporizado no “Almost Ideal Demand System” apresentado na American Economic Review em 1980. O segundo foi o seu contributo para a análise da relação entre consumo e rendimento, prosseguindo linhas de investigação avançadas por economistas como Milton Friedman e Franco Modigliani e focando-se em particular na sua avaliação. O terceiro, e porventura mais saliente, foi a sua investigação sobre a pobreza, a comparação de níveis de vida e o desenvolvimento, com amplo suporte empírico em inquéritos aos agregados familiares.
O trabalho de Angus Deaton com vista ao aperfeiçoamento das comparações de níveis de vida tem-se revelado especialmente importante para um melhor entendimento dos diferentes níveis de desenvolvimento assim como da evolução dos mesmos ao longo do tempo. Neste domínio, e em boa parte devido aos seus contributos, a compreensão das semelhanças e diferenças nos padrões de consumo de bens e serviços entre sociedades e no interior de uma mesma sociedade tem assumido uma relevância crescente tanto a nível da investigação como enquanto guia para as políticas públicas.
Muitas das principais ideias de força do trabalho de Angus Deaton ao longo das últimas décadas encontram-se reunidas de forma (relativamente) acessível no livro The Great Escape: Health, Wealth, and the Origins of Inequality (Princeton University Press, 2013). Nessa obra, de difícil catalogação nos moldes ideológicos tradicionais mas com numerosos contributos de grande valor, Deaton procura explicar o extraordinário processo de fuga à miséria e pobreza generalizada que se desenvolveu ao longo dos últimos três séculos. Os avanços em termos de crescimento económico e qualidade de vida foram extraordinários e sem precedente na longa história da humanidade, tendo também sido acompanhados do aparecimento de desigualdades sem precedentes entre diferentes partes do mundo.
A abordagem de Angus Deaton aplicada à análise das inovações e dos sucessos (assim como dos insucessos) civilizacionais dos últimos séculos pode ser legitimamente inserida na mesma categoria, em sentido lato, de estudos de economia política institucional com abordagem interdisciplinar desenvolvidos por autores como Mancur Olson, William Easterly ou Elinor Ostrom.
Num tópico particularmente controverso – o da ajuda internacional ao desenvolvimento – Deaton alinha em grande medida com Easterly na crítica enérgica aos efeitos prejudiciais dessa ajuda sobre o desenvolvimento institucional dos países mais pobres. Sem deixar de reconhecer os efeitos positivos de curto prazo que as transferências dos países mais ricos para os mais pobres podem ter em matérias importantes como os cuidados de saúde, Deaton alerta para os graves danos que essas transferências produzem a nível institucional. De facto, ao propiciar o desenvolvimento e perpetuação de estruturas rentistas e de governos opressivos e ineficazes, a ajuda internacional pode constituir-se como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento. A respeito destes temas, vale também a pena ler o recente texto de Angus Deaton publicado na Review of Austrian Economics intitulado “On Tyrannical Experts and Expert Tyrants”, motivado precisamente pelo livro The Tyranny of Experts, de William Easterly.
Globalmente considerados, os contributos de Angus Deaton são um exemplo do melhor que a ciência económica contemporânea tem para oferecer, conjugando o individualismo metodológico, uma sólida base conceptual e o trabalho empírico rigoroso e devidamente sustentado.

Professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Por que a America do Norte se tornou rica e a America Latina continua pobre? - uma aula virtual Paulo Roberto de Almeida

Vou dar uma aula virtual nesta sexta-feira, dia 17 de abril, as 20hs de Brasília, 19hs da costa leste dos EUA. Não sei precisamente se está aberta a todos os interessados, em todo caso reproduzo a mensagem convite que também recebi:

Quero lhe convidar para participar da nossa primeira Aula ao Vivo, que será gratuita e com muito conteúdo de qualidade.

No dia 17 de abril às 20 horas vamos realizar a nossa primeira Aula ao Vivo com o Professor Paulo Roberto de Almeida sobre Por Que a América Latina é Pobre e a América do Norte Rica?

Faça Seu Cadastro Aqui!

O professor Paulo Roberto é diplomata de carreira desde 1977, Doutor em Ciências Sociais e com pesquisas voltadas para os seguintes temas: relações internacionais, história diplomática do Brasil e desenvolvimento econômico. Eis alguns dos temas da Aula:

- Por que a humanidade foi pobre em boa parte da história?
- A América Latina sempre foi pobre nas condições sociais de vida da população?
- Como a América do Norte acumulou riqueza suficiente para desfrutar de uma vida mais confortável?
- Qual a importância dos fatores culturais, institucionais e educacionais para a pobreza da América Latina?

Venha Participar dessa Aula Tão Importante para a Compreensão da nossa Realidade.
Reserve a Sua Vaga e Participe do Sorteio!

Um grande abraço,

Prof. Cleófas Júnior - UEPB

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Nova chamada, recebida em 16/04/2015:

Essa será uma questão analisada na Aula ao Vivo Por Que a América Latina é Pobre e a América do Norte Rica?, junto com o diplomata e doutor Paulo Roberto de Almeida.

Apresento um trecho importante do artigo preparado pelo doutor Paulo Roberto:

“Não deveria haver muita surpresa quando se constata o fato de que a América Latina, a despeito de progressos sociais e econômicos inegáveis nas últimas décadas, permanece bastante pobre, em termos de condições sociais de vida para a maioria de seus habitantes”.


Participe desse momento de reflexão tão importante sobre a nossa história!

Compartilhe com seus amigos a nossa Aula através desse link http://livresdamediocridade.leadlovers.com


Um grande abraço,

Cleófas Júnior


quarta-feira, 25 de março de 2015

Como NAO se tornar capitalista, e continuar pobre - Salmaan A. Khan (Mises)

Max Weber não faria uma análise melhor sobre a ética islâmica e o não desenvolvimento do capitalismo nos países em que a lei vai contra os negócios e a prosperida.
Aliás, já surgiu um Max Weber islâmico?
Gostaria de conhecer.
Falando nisso, parece que tem um Lutero muçulmano, mas não sabemos exatamente quem é.
Para evitar ser morto, por apostasia, ou qualquer outra infração grave à lei religiosa, ele se esconde sob um pseudônimo: Bahis Sed, e seu livro e "The Quran Speaks", ou O Corão Fala.
Quis comprar, mas ainda está muito caro: 36 dólares em sebo (no Abebooks). Vou buscar em biblioteca...
Paulo Roberto de Almeida

Middle Eastern Barriers to an Agile Marketplace
 Salmaan A. Khan
Mises Daily, MARCH 25, 2015

According to economic historian Timur Kuran, “Around roughly the tenth century, the Middle East was an economically advanced region of the world, as measured by standard of living, technology, agricultural productivity, literacy or institutional creativity. Only China might have been more developed.” Today, however, the Middle East is a victim of historical legal impediments that increase time preference among consumers and investors, and which are fraught with failures to restructure Islamic legal code to fit for the numerous changes in the nature of commerce.

Corporate Governance
One of the most critical impediments to Islamic economies has historically been partnership laws. While Europe was building up large corporate enterprises that had hundreds, even thousands of shareholders, businesses in the Islamic world had limited partnerships to no more than six people. The rationale behind this is based on Islamic contract law, whereby if one of the business partners dies, the partner must liquidate the assets of the deceased, and give them to the heirs. However, this did not imply the business must be abolished with the death of a partner, but the added complication — compounded with skewed egalitarian Sharia inheritance laws which stated that two-thirds of any estate are to be distributed amongst relatives, both male and female — made it difficult for companies to achieve economies of scale due to a lack of longevity, specialization, and predictability within companies under Islamic regimes.

Furthermore, families in many areas have tended to be quite large due to the practice of polygamy, so due to many heirs being recipients of the inherited wealth, the business would often just dissolve. As Kuran notes, “Middle Eastern entrepreneurs minimized the risk of premature termination by keeping their partnerships small and ephemeral.” The consequence for Islamic economies has been a long-term game of catch-up once the Industrial Revolution commenced in Europe.

The Legacy of the Waqfs
Some scholars conclude that cultural and religious fatalism has contributed to the inadequacy of Middle Eastern economies, as the idea that "everything is in God’s” hands allows idleness to triumph. But, there is more empirical proof that the underdevelopment of the Middle East today has been heavily affected by the Ottoman Empire’s bureaucratization of special endowments called waqfs.

There were two kinds of waqfs depending on its waqfiyya, or deed, whereby the waqf’s founder would decide what its primary function would be. Either they were charitable waqfs, or family waqfs. Charitable waqfs were established for a social function — for operating a religious center and eventually expanding to take care of the poor, providing health services, schools, libraries, and the overall provision of public goods. Family waqfs, on the other hand, were used to establish property rights for families in need of a safe haven to stash their savings away from the confiscation by the sultan.

Due to the sanctity that waqfs were given, they were theoretically tax exempt. However, according to Murat Cizacka, “Given the authoritarian governments in power, the rulers could expropriate the private property for the sake of the ummah.”

Furthermore, when complications erupted in the case of family waqfs (since charitable waqfs operated under the public radar and its utilization of resources were transparent), they ran into more controversial problems that could not be as easily resolved in court. Moreover, the endowment deeds often were destroyed or damaged by war. Over time, these issues led to more and more expropriation and regulation by the Ottoman government. Meanwhile, Europe was providing similar services through a thriving profit-bearing corporate sector, as well as adopting double-entry bookkeeping and joint-stock companies. According to Kuran, "Westerners had access to commercial banks that could channel capital mobilized from the masses into large-scale productive ventures.”

Essentially, the catalyst of the waqfs’ stagnation was their very strict adherence to religious code. Competition for waqfs from other institutions was not allowed by Sharia Law. Through the legal system, by regulation of the ulama, waqfs attained a monopoly on the provision of public goods, including even the use of school textbooks.

Thus, a correlation can be drawn between the decentralized period of waqfs, in which Islamic countries were at the peak of international trade and prosperity, and the era of centralized control by the Ottoman state which led to a lagging and underdeveloped Middle East economy. As Kuran states, “the waqf was economically inefficient because of its perpetuity, inflexibility, lack of self-governance and absence of separate legal personality.” While once characterized by decentralized and more flexible institutions which brought greater economic prosperity, Middle Eastern economies today look quite different.

In the same way that the Russian people were the victims of totalitarian Russian regimes of the past, the people of the Middle East are today victims of brutal extractive regimes whose main enemies have commonly been their own people. And unfortunately, these regimes can still rely upon restrictive institutions of old to control the marketplace and enrich themselves.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Quer acabar com a pobreza? Educacao, emprego e casamento - Brookings

Sem educação, sem qualificação para o mercado de trabalho (e portanto sem emprego),  filhos de mãe solteira, ou famílias fragmentadas são as receitas inversas para a perpetuação (intergeracional) da pobreza. Simples assim.
Ou se pretende manter um exército de assistidos por mais de uma geração, como já está ocorrendo no Brasil, em que jovens que já estavam no Bolsa Família começam a ter filhos também dependentes da assistência pública.
Paulo Roberto de Almeida

Challenges Facing Low-Income Individuals and Families
Thanks for inviting me to testify on the important topic of challenges facing low-income families. It is an honor to testify before the Human Resources Subcommittee. I applaud your purposes and hope that I can help the Subcommittee members understand our current circumstances regarding work, benefits, and poverty by single mothers a little better.
For well over a decade, my Brookings colleague Isabel Sawhill, a Democrat and former member of the Clinton administration, and I have been analyzing data and writing about the factors that influence both poverty rates and economic mobility.[i] We long ago concluded that education, work, and marriage are major keys to reducing poverty and increasing economic opportunity. We also emphasize the role of personal responsibility in all three of these vital components of building a path to the American Dream. But government programs to help low-income American parents escape poverty and build opportunity for themselves and their children are also important.
In today’s hearing, the Subcommittee is taking testimony about marriage and work, two of these three keys to reducing poverty and increasing opportunity. Brad Wilcox from the University of Virginia will discuss the decline of married-couple families, the explosion of births outside marriage, and the consequent increase in the number of the nation’s children being reared by single (and often never-married) mothers. The increase in the proportion of children in female-headed families contributes to substantial increases in poverty by virtue of the fact that poverty rates in female-headed families are four to five times as great as poverty rates in married-couple families.[ii] If the share of the nation’s children in female-headed families continues to increase as it has been doing for four decades, policies to reduce poverty will be fighting an uphill battle because the rising rates of single-parent families will exert strong upward pressure on the poverty rate.[iii] But perhaps of even greater consequence, children reared in single-parent families are more likely to drop out of school, more likely to be arrested, less likely to go to college, more likely to be involved in a nonmarital birth, and more likely to be idle (not in school, not employed) than children from married-couple families.[iv] In this way, a disproportionate number of children from single-parent families carry poverty into the next generation and thereby minimize intergenerational mobility.
So far public and nongovernmental programs have not been able to reverse falling marriage rates or rising nonmarital birth rates, but there is a lot we have done and can do to increase work rates, especially the work rates of low-income mothers. The goal of my testimony today is to explain the government policies that have been adopted in recent decades to increase work rates and subsidize earnings, which in turn have led to substantial declines in poverty.
I make two points and a small number of recommendations. The first point is that the employment of low-income single mothers has increased over the two decades, in large part because of work requirements in federal programs, especially Temporary Assistance for Needy Families (TANF). The recessions of 2001 and 2007-2009 caused the employment rate of single mothers to fall (as well as nearly every other demographic group), but after both recessions work rates began to rise again.
The second point is that the work-based safety net is an effective way to boost the income of working families with children that would be poor without the work supports. In my view, this combination of work requirements and work supports is the most successful approach the nation has yet developed to fight poverty in single-parent families with children. Here’s the essence of the policy approach: first, encourage or cajole single mothers to work by establishing work requirements in federal welfare programs; second, subsidize the earnings of low-income workers, both to increase their work incentive and to help them escape poverty. The primary work-based safety-net programs are the Earned Income Tax Credit (EITC), the Additional Child Tax Credit, the Supplemental Nutrition Assistance Program (SNAP), child care, and Medicaid.


[i] Ron Haskins and Isabel Sawhill, Work and Marriage: The Way to End Poverty and Welfare (Washington: Brookings Institution, 2003); Haskins and Sawhill, Creating an Opportunity Society (Washington: Brookings Institution Press, 2009)
[ii] Ron Haskins, “The Family is Here to Stay,” Future of Children 25, no. 2 (forthcoming); Kaye Hymowitz, Jason S. Carroll, W. Bradford Wilcox, and Kelleen Kaye, Knot Yet: The Benefits and Costs of Delayed Marriage in America (Charlottesville, VA: The National Marriage Project at the University of Virginia, The National Campaign to Prevent Teen and Unplanned Pregnancy, and The Relate Institute, 2013). For an explanation of the central role of family structure in the continuing black-white income gap, see Deirdra Bloome, “Racial Inequality Trends and the Intergenerational Persistence of Income and Family Structure,” American Sociological Review 79 (December 2014): 1196-1225.
[iii] Maria Cancian and Ron Haskins, “Changes in Family Composition: Implications for Income, Poverty, and Public Policy,” ANNALS of the American Academy of Political and Social Science 654 (2014): 31-47.
[iv] Sara McLanahan, Laura Tach, and Daniel Schneider, “The Causal Effect of Father Absence,” Annual Review of Sociology 29 (2013): 399-427.