O que é este blog?

Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

Mostrando postagens com marcador China. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador China. Mostrar todas as postagens

sábado, 16 de setembro de 2017

Uma outra China fora da China: Sudeste Asiatico - Marcos Jank

O Sudeste Asiático como rota alternativa à China

Jornal “Folha de São Paulo”, Caderno Mercado, 16/09/2017

Marcos Sawaya Jank (*)

O Sudeste Asiático é ótima alternativa para reduzir nossa dependência da China em comércio e investimentos.

Marcos Sawaya Jank[1]

Aproveitando a visita do presidente Temer à China, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, realizou uma missão a Malásia, Singapura e Vietnã, no Sudeste Asiático. Há um ano o ministro Blairo Maggi também esteve em quatro países da região.

Quando se fala em Ásia no Brasil, todo o mundo pensa em China, tamanha a influência que esse gigante exerce hoje na geopolítica, no comércio e nos investimentos globais. Quando não é a China, as nações asiáticas mais presentes no imaginário brasileiro são a Índia e o Japão.

Mas no campo do comércio quem, de fato, rivaliza com a China é a desconhecida Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático), um bloco formado por países que somam 640 milhões de habitantes e um PIB de US$ 2,6 trilhões que cresce 6% ao ano: Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Brunei, Camboja, Laos, Vietnã e Mianmar.

Basta dizer que hoje exportamos US$ 35 bilhões ao ano para a China, mas 75% da pauta é composta por só duas commodities: soja em grãos e minério de ferro. Já a Asean compra US$ 11 bilhões do Brasil, mas a pauta é bem mais diversificada, ainda que fortemente concentrada no agronegócio: soja e derivados, milho, açúcar, algodão, carnes, celulose e outros.

O potencial dos países da Asean para comércio e investimentos do Brasil é evidentemente inferior ao da China, mas é mais fácil fazer negócios naquela região. 

As oportunidades são imensas. Por exemplo, as importações totais de produtos agropecuários e alimentos da Asean passaram de US$ 30 bilhões para US$ 90 bilhões ao ano nos últimos dez anos, superando o Japão e perdendo apenas para a China, que importou US$ 120 bilhões.

O Brasil responde por apenas US$ 6 bilhões anuais, valor muito pequeno que nos posiciona atrás de EUA, China e Austrália como supridor.

Trata-se de região com alto potencial para diversificar produtos e mercados-destino, adicionar valor e marcas aos produtos exportadores e realizar ou receber grandes investimentos. Singapura, por exemplo, tem dois fundos soberanos com presença e imenso interesse de investimento no Brasil: GIC e Temasek.

Vejo o Sudeste Asiático como ótima alternativa para reduzir nossa crescente dependência da China em comércio e investimentos. 

Talvez não consigamos construir acordos comerciais mais ambiciosos na região, mas claramente esses países buscam alternativas de parceria após a retração dos EUA de Trump e da União Europeia do "brexit". Basta dizer que a Asean já é o segundo bloco econômico do planeta e que os 11 países da TPP (Parceria Transpacífica) querem seguir com o bloco sem os EUA.

Mesmo que não consigamos fechar acordos comerciais ambiciosos, deveríamos ao menos tentar construir parcerias estratégias com todo país asiático que conta com população superior a 50 milhões. Só no Sudeste Asiático são cinco países.

Os portugueses foram visionários quando se lançaram ao mar nas grandes navegações, por volta de 1500. Vasco da Gama descobriu a rota marítima para a Índia, chegando a Calicute em 1498.

Em 1510, Afonso de Albuquerque conquista Goa e logo depois a cidade de Malaca (na atual Malásia), situada no centro de um dos estreitos de mar mais estratégicos do planeta, rota obrigatória dos navios que vão do Índico para o Pacífico e a China

De Malaca eles foram para o reino do Sião (Tailândia), Java (Indonésia) e Angkor (Camboja), sempre em busca das famosas especiarias asiáticas.

A China é importante, mas agir além dela na Ásia é absolutamente crucial. Há mais de cinco séculos os portugueses foram pioneiros nas suas incursões pelo Sudeste Asiático. É hora de o Brasil fazer o mesmo, mas desta vez não para buscar, mas sim para levar nossas especiarias tropicais.

(*) Marcos Sawaya Jank é especialista em questões globais do agronegócio. Escreve aos sábados, a cada duas semanas.
 

[1]. Marcos S. Jank é especialista em questões globais do agronegócio. Escreve aos sábados, a cada duas semanas. Email: marcos@jank.com.br

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A hiperinflacao de Chiang Kai-Shek levou a China ao comunismo - Jonathan Fenby book

Mao Tse-tung parece ter sido mais vitorioso por causa da inflação do que pela potência de suas tropas:

Today's selection -- from Chiang Kai-Shek by Jonathan Fenby. In 1947, it looked certain that Chiang Kai-shek and the Nationalists would triumph over Mao Zedong and the Communists in the battle for China, but mismanagement of the economy and crippling hyperinflation destroyed his chances:

"On 7 August 1947, Chiang Kai-shek flew over the loess country of northern Shaanxi to the town [of Yan'an] where Mao had found his haven at the end of the [now legendary] Long March. The Generalissimo walked briskly through Yan'an, accompanied by a triumphant group of generals led by General Hu Zongnan, the 'Eagle of the North-West' who had ring-fenced the base area during the war with Japan.


China's Wartime Finance and Inflation: 1937 -- 1945, 1965
"[Hu] had taken Yan'an without a fight -- the Communist leadership had already trekked out. The place was of no importance in itself, and the bleak countryside of northern Shaanxi offered no benefits for the Nationalists. But that meant little beside the symbolism of having forced Mao and his colleagues to flee once more, the Communist leader on a horse while his troops marched round him. Chiang went to see Mao's house and the long tunnel connecting it to Zhu De's headquarters as Nationalist photographers took snaps of poppies and the 'Local Product Company' building to show that the Communists had been dealing in opium.

"A combination of huge forces, American supplies and transport, plus some good generalship in the north had put Chiang in what looked like an unassailable position in the first eighteen months after the end of the war with Japan. Mercenary armies came back under the Nationalist flag. He had the active support of the China Lobby in the United States, combining politicians in Washington, a network of businessmen round T. V. Soong and H. H. Kung, and the influence of [Time magazine and the other Henry] Luce magazines. The Republican, Thomas Dewey, seemed well placed to beat Truman in the 1948 presidential election -- after a visit to America, Chen Lifu told a Shanghai newspaper that this would mean 'extraordinary measures' to send military aid to China. But, as so often, Chiang's position was more hollow than it appeared. By the time he walked through Yan'an, his military fortunes had peaked, and the disintegration of areas under Nationalist control was racing ahead.


1950 propaganda cartoon (via ChinaSmack). The caption in the right panel reads, Now currency has stable rates, gold and greenbacks are disgraced, Renminbi are widely trusted, speculators have been busted.
"Hyperinflation was destroying the middle classes and honest officials; wholesale prices in Shanghai rose by 45 per cent in a single month. The mother of the author of Wild Swans, Jung Chang, had to hire a rickshaw to carry the huge pile of notes needed to pay her school fees in the Manchurian city of Jinzhou where beggars tried to sell their children for food. Labour unrest grew -- there were 4,200 strikes in Shanghai in 1946-47. In some universities, police agents masquerading as students patrolled the campuses with guns under their gowns searching for subversives. In [Beijing], troops fired on a protest by 3,000 students, killing several. In Kunming, five dissidents were shot by police, and more than 1,000 were held in a jail, pulled out of the cells at midnight to kneel in the gravel yard while soldiers waved bayonets at them and told them to confess to being Communists -- the American journalist Jack Belden added that more than thirty were buried alive. The protests were encouraged by the Communists, but were, above all, a sign of war-weariness and alienation from a regime that had nothing more to offer.

"Not that support for the Communists was as widespread and automatic as subsequent propaganda would assert. The party demonstrated great skill in organising the peasantry, but its revolution was often imposed rather than being the result of spontaneous popular uprising."

To subscribe, please click here or text "nonfiction" to 22828.
Chiang Kai-Shek: China's Generalissimo and the Nation He Lost
Author: Jonathan Fenby
Publisher: Carroll & Graf Publishers
Copyright 2003 by Jonathan Fenby
Pages: 473-475

If you wish to read further: Buy Now


quinta-feira, 31 de agosto de 2017

The rape of Nanking - livro sobre Chiang Kai-Shek - Jonathan Fenby


Today's selection -- from Chiang Kai-Shek by Jonathan Fenby. The so-called "Rape of Nanking" witnessed atrocities that were among the most horrifying in the history of war. It was part of the Second Sino-Japanese War, which began in 1937 when Imperial Japan invaded China under Chiang Kai-Shek. Casualties in that war were estimated at between 20 and 35 million people. Nanking was the capital of the Republic of China and was upriver from Shanghai, China's wealthiest and most important commercial city, which had already fallen to the Japanese:

"The Rape of Nanking was unique as an urban atrocity not only for the number of people who died but also for the way the Japanese went about their killing, the wanton individual cruelty, the reduction of the city's inhabitants to the status of subhumans who could be murdered, tortured, and raped at will in an outburst of the basest instincts let loose in six weeks of terror and death. The death toll was put at 300,000 -- some accounts set it even higher, though one source for the former figure, Harold Timperley of the Manchester Guardian, used it to refer to deaths in the Yangtze Valley as a whole.
 The corpses of massacred victims on the shore of the Qinhuai River with a Japanese soldier standing nearby.

"On the first day, a Japanese division killed more than 24,000 prisoners of war and fleeing soldiers. On the wharves by the river, coolies threw 20,000 bodies into the Yangtze before being killed themselves. Behind its white flags and Red Cross symbols, the foreign Safety Zone proved weak protection: indeed, by concentrating refugees there, it inadvertently provided a big target for the killers; the 'good Nazi of Nanking', the German John Rabe could only roam the streets trying to rescue individuals in his path.
"There were no imperial orders, as such, for the Rape of Nanking, and General Matsui gave senior officers a scathing rebuke after he entered the city for the victory parade on 17 December. But the general left for Shanghai two days later and, though he insisted there that misconduct must be severely punished, his words had no discernible effect. Any Chinese was liable to be a target. People were roped together and machine-gunned, doused with kerosene and set on fire. Thousands were buried alive -- or put in holes up to their necks and then savaged by army dogs. Others were frozen to death after being thrown into icy ponds. Japanese soldiers used Chinese for bayonet practice. Civilians were nailed to boards and run over by vehicles, Mutilation, disembowelling and eye gouging took place before executions. People were sprayed with acid, or hung up by their tongues. Medical experiments were conducted in a former hospital where Chinese, known as 'logs', were injected with germs and poisons. Women, young and old, pregnant and ill, were raped in enormous numbers, and then killed, some with sticks rammed into their ******s. Foetuses were ripped from the bodies of expectant mothers. Other women were taken to so-called 'comfort houses' set up for the soldiers, who called the inmates 'public toilets'.
"Japanese newspapers recorded a competition between two lieutenants to behead 100 Chinese with their swords. When they both passed the mark, it was not clear who had got there first, so the contest was extended to 150. One of the lieutenants described the competition as 'fun', though Japanese newspapers noted that he had damaged his blade on the helmet of a Chinese he cut in half. Revelling in their savagery, Japanese soldiers took photographs of the massacres and sent them to Shanghai to be developed; Chinese staff in the photographic shops passed copies to Rhodes Farmer who forwarded them to Look magazine in America in evidence of the horror.
"As the Nationalist capital, Nanking was obviously an important target where the Japanese wanted to achieve maximum humiliation of their adversary. But the sustained mass bestiality can better be explained -- if it can be rationally explained at all -- by the tensions that had built up in the army since the Shanghai battle erupted, by the knowledge of the Japanese troops that they were heavily outnumbered by the Chinese in the city, by the callousness bred in the previous four months -- and, above all, by the dehumanisation of the Chinese which had become part of the psyche of the Imperial Army. The invaders saw the people around them as lower than animals, targets for a bloodlust which many, if not all, their commanders felt could only spur their men on to fight better. In his diary, one soldier described the Chinese as 'ants crawling on the ground ... a herd of ignorant sheep'. Another recorded that while raping a woman, his colleagues might consider her as human, but, when they killed her, 'we just thought of her as something like a pig'.
"It seems certain that the Emperor in Tokyo knew at least the outline of what was going on. His uncle was in command, and Japanese newspapers reported the execution contests among officers as if they were sporting events. Hirohito still hoped that China could be defeated with one big blow, which Nanking might provide."

Author: Jonathan Fenby
Publisher: Carroll & Graf Publishers
Copyright 2003 by Jonathan Fenby
Pages: 307-309

segunda-feira, 24 de julho de 2017

BRICS Co-operation: Assessment and Next Steps - Seminar Itamaraty, August 1, 2017, 9am-4pm




BRICS Co-operation: Assessment and Next Steps
Auditório Paulo Nogueira Batista, Anexo II, Palácio Itamaraty
Brasília, 1 August 2017

Draft Programme*

09:00–09:20
Opening

§  Ambassador Sérgio Eduardo Moreira Lima, President of FUNAG
§  Ambassador Georges Lamazière, Under Secretary General for Asia and the Pacific
§  Ambassador Li Jinzhang, Ambassador of China to Brazil
§  Assistant Minister Hu Zhengyue, Vice President of China Public Diplomacy Association (CPDA)

09:20–10:40
One Decade of the BRICS: Assessment and Next Steps

§  Professor Wu Xiaoqiu, Vice-President of Renmin University
§  Ambassador Sergio Florencio, Director for International Economic and Political Relations, IPEA
§  Minister Mariana Madeira, Head of the Division for BRICS and IBSA, Ministry of Foreign Affairs
§  Minister Benoni Belli, Secretary for Diplomatic Planning, Ministry of Foreign Affairs
§  Professor Thomas Dwyer, Co-ordinator, BRICS Studies Project, University of Campinas

10:40–11:00
Coffee Break


11:00–12:40
Breadth and Depth: Priorities for BRICS Co-operation
Moderator : Professor WangWen, Executive Dean Chongyang Institute for Financial Studies, Renmin University of China

§  Mr. Zhao Xiyuan, Secretary-General of China Public Diplomacy Association (CPDA)
§  Counsellor Rina-Louise Pretorius, Embassy of South Africa to Brazil
§  XX, Embassy of India to Brazil
§  XX, Embassy of Russia to Brazil
§  Professor Zhao Xijun, Deputy Dean of School of Finance, Renmin University of China
12:40–14:00
Lunch Break



14:00– 15:40

Financial Co-operation, Investment and the New Development Bank
Moderator: Minister Paulo Roberto de Almeida, Director of IPRI

§  Professor Murilo Portugal, President of FEBRABAN
§  Minister Norberto Moretti, Director of the Department for Financial Affairs and Services, Ministry of Foreign Affairs
§  Professor Wang Wen, Executive Dean, Chongyang Institute for Financial Studies, Renmin University of China (RDCY)
§  Professor Marcos Troyjo, Director, BRICLab, Columbia University
§  XX, Embassy of China in Brazil
15:40–16:00
Wrap-up and Closure

§  Minister Paulo Roberto de Almeida, Director of IPRI
§  Minister Mariana Madeira, Head of the Division for BRICS and IBSA, Ministry of Foreign Affairs
§  Professor Wu Xiaoqiu, Vice-President of Renmin University

Supporting Partners:
Alexandre de Gusmão Foundation (FUNAG)
China Public Diplomacy Association (CPDA)

Co-Host:
Institute for Research on International Relations (IPRI), Ministry of Foreign Affairs, Brazil
Chongyang Institute for Financial Studies,Renmin University of China (RDCY)



* Participants' names to be confirmed.


Chinese Participants' list:
- Wu Xiaoqiu, Vice President of Renmin University of China
- Zhao Xijun, Deputy Dean of School of Finance, Renmin University of China
- WangWen, Executive Dean Chongyang Institute for Financial Studies ,Renmin University of China
- Cui Yue, Executive Editor-in-Chief of Information Centre, Chongyang Institute for Financial Studies ,Renmin University of China
- Cheng Cheng, Vice Research fellow of Industry Research Department of Chongyang Institute for Financial Studies , Renmin University of China

sábado, 15 de julho de 2017

Academicos gramscianos continuam com as velhas ilusoes "brics-ianas": relato em Carta Capital


Três típicos acadêmicos gramscianos criticam, no costumeiro estilo dessa tribo e no pasquim costumeiro da comunidade, a atual política externa do Brasil, a partir de um "fórum acadêmico" sobre o Brics, realizado recentemente na China
Vindo dessa categoria de analistas, não se poderia mesmo esperar outra coisa, senão uma pauta totalmente comprometida com a anterior  "política externa ativa e altiva", que tanto encantou a tribo dos convertidos. 
Como eles partem do suposto de que o governo atual é "golpista" , eles condenam igualmente a política externa, pois seu ponto de partida é a diplomacia anterior, e tudo o que discordar dos antigos pressupostos é ipso facto golpista, equivocado, caudatário do império, e todos os demais defeitos que ideólogos do lulopetismo diplomático podem encontrar em qualquer diplomacia que não esteja alinhada com suas escolhas políticas peculiares.
Eles acham que o Brics deveria ser tão importante no governo atual quanto o foi no anterior, que aliás criou o grupo, quase que totalmente dominado pela China, um país que, como se sabe é um grande defensor da democracia e dos direitos humanos. Os três não admitem que o governo atual possa ter qualquer atitude de retraimento em relação a um grupo que possui a peculiaridade de ter sido escolhido não por vontade dos quatro países originais, mas por uma sugestão específica de um economista de um banco de investimento pensando unicamente, exclusivamente, em maiores retornos de mercado para investimentos financeiros do grande capital multinacional.
Para eles não existe nenhuma contradição nesse fato, como tampouco  nenhuma estranheza em proclamar que a intenção manifesta desse grupo é a convergência entre esses países para facilitar o "reordenamento do poder mundial". 
Falta aos acadêmicos gramscianos uma reflexão ponderada sobre o significado do grupo em termos de  modernização econômica e social, com respeito aos direitos humanos, democracia e liberdades econômicas de cada um dos países, uma vez que suas convicções políticas não alcançam esses aspectos, mas permanecem num jogo de soma zero de um ilusório "poder mundial". 
Não espero converter nenhum dos três gramscianos a outras convicções, pois as deles já são arraigadas, e se manifestam em frases tão simplistas, redutoras, no limite idiotas, como a que eles repetem como um mantra: o atual governo estaria comprometido com um "alinhamento submisso aos poderes centrais". 
Eles provavelmente preferem que um governo "progressista" como o que eles defendem -- aquele mesmo que provou a Grande Destruição econômica, e lançou o Brasil no descrédito mundial ao produzir, deliberadamente, o MAIOR ESQUEMA DE CORRUPÇÃO já visto no mundo -- acompanhe outros "anti-hegemônicos" numa espécie de "alinhamento ativo com poderes periféricos". Esse é o desejo dos três gramscianos que escrevem o que transcrevo abaixo.
Como sempre, meu blog está aberto a todo tipo de reflexão, de preferência as mais inteligentes, mas mesmo argumentos idiotas, como os que figuram abaixo, merecem transcrição, numa prova de quão débil mentalmente é a nossa academia, quão simplistas podem ser esses acadêmicas, quão alinhados ideologicamente podem ser os gramscianos, quão coniventes com uma organização criminosa e um governo corrupto eles podem ser.
Paulo Roberto de Almeida  
Brasília, 15 de julho de 2017
 

Relações Internacionais

Fórum Acadêmico dos BRICS e os (des)caminhos da diplomacia brasileira

por Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais (GR-RI) — Carta Capital, 14/07/2017; link: https://www.cartacapital.com.br/blogs/blog-do-grri/o-forum-academico-do-brics-e-os-des-caminhos-da-diplomacia-brasileira
Brasil teve participação pífia, condizente como o momento atual do país e sinalizou que os BRICS não são prioridade
2
Wikimedia Commons
brics.jpg
Temer ao lado dos líderes dos BRICs em cúpula do G-20 em 2016. No Fórum Acadêmico deste ano, porém, participação comprovou que grupo não é prioridade
Por Renata Boulos, Diego Pautasso e Cláudio Puty*
Ocorreu em Fuzhou, na China, entre os dias 10 e 12 de junho de 2017, o 9º Fórum Acadêmico dos BRICS com o tema “Pooling Wisdom and New Ideas for Cooperation”. O Fórum reúne organizações da sociedade civil, think tanks e partidos políticos e costuma preceder a Cúpula dos BRICS no país anfitrião.
Quatrocentas pessoas formaram o público principal do evento, composto por membros dos governos dos cinco países (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), países visitantes (como Filipinas e Argentina, por exemplo), instituições acadêmicas, organizações da sociedade civil e partidos políticos.
O encontro teve grande importância para a China, pois é um dos principais fóruns onde a paradiplomacia ocupa lugar central e tem sido um espaço de consolidação dos BRICS para além dos chefes de estado.  
O Brasil teve uma participação pífia, condizente como o momento atual do país e mais uma vez sinalizou que os BRICS não são prioridade para o atual governo. O think tank brasileiro, IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), sequer se fez comparecer porque a direção do órgão simplesmente não liberou as passagens dos pesquisadores. 
A Presidência da República e o Itamaraty mandaram representantes do terceiro escalão, que não expressaram qualquer diretriz da política externa brasileira, tampouco nossa estratégia para o agrupamento BRICS. Imaginamos que esboçá-las deva ser uma tarefa árdua, à medida que sabemos que malta temerosa hoje ocupando o Palácio do Planalto não constitua propriamente um governo.    
Talvez por conta disso, a articulação entre os membros do governo brasileiro e integrantes da sociedade civil, think tanks e partidos políticos tenha sido praticamente nula, como se fôssemos membros de países distintos. Causa espécie a falta de entendimento do papel do BRICS como mecanismo de articulação de países emergentes, cujo papel no reordenamento do poder mundial é irrefreável.
Especificamente neste Fórum - que representa um espaço para estratégias de cooperação entre buscando mecanismos de convergência de diversos setores da sociedade -  a ausência do governo diz muito, e foi notada por russos, chineses e sul-africanos, que, por sinal, enviaram delegações de alto nível.
Esse evento refletiu o quadro mais abrangente de (des)caminho da política externa brasileira, evidente desde o início do governo surgido do golpe. A outrora diplomacia acusada de ‘politizada’, agora conduzida pelo PSDB de José Serra e Aloysio Nunes produz constrangimentos em série e é digna de uma República de Bananas, não de um país da importância do Brasil.
Recordemos.  A nova direção do Itamaraty inaugurou sua gestão disparando baterias contra os países vizinhos e fechando embaixadas na África e no Caribe. Agora segue com a ridícula obsessão por ingressar na anacrônica OCDE e promove operações militares com o exército americano em plena Amazônia brasileira.
Enquanto isso, as instituições voltadas à política externa soberana e autônoma, como a UNASUL, Mercosul, CELAC, a política africana brasileira e os BRICS praticamente saíram da agenda internacional. A resposta infantil à crítica de órgãos internacionais de direitos humanos (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos) sobre o ‘uso recorrente de violência’ contra manifestantes na Cracolândia em São Paulo refletem o caráter do atual governo.
E não para por aí. Recentemente, o Brasil decidiu reduzir drasticamente sua participação no Banco de Investimento em Infraestrutura Asiático (AIIB, na sigla em inglês), encabeçado pela China e do qual o Brasil é membro fundador, ficando com 50 ações ao invés das 32 mil ações inicialmente acordadas.
Não tivemos sequer participação no Fórum do grande plano de infraestrutura da China para o mundo: o  “Belt and Road Initiative” quando até nossos vizinhos argentinos e chilenos se fizeram presentes.  Finalmente, o ápice dessa festa funesta e aziaga é a série inacreditável de gafes cometidas por Michel Temer em suas visitas internacionais.
Entre os dias 3 e 5 de setembro, ocorrerá a 9ª Cúpula de Chefes de Estado do BRICS em Xiamen, província de Fujian (China), com tema "BRICS: parceria mais forte para um futuro mais brilhante". Enquanto isso, o Brasil parece incapaz de formatar um projeto de inserção internacional para além de recuperar um alinhamento submisso aos países centrais – incluindo aí uma atuação voltada a aprofundar a crise venezuelana.  
Mais que lapsos, não ter projeto é o próprio projeto deste governo ilegítimo, impopular, envolvidos em malversações múltiplas, cuja única função é desmontar não somente o ciclo de políticas consagradas no período Lula-Dilma, mas inclusive conquistas oriundas da Constituição de 1988 e mesmo da Era Vargas. O governo Temer é a cara das nossas elites.
*Renata Boulos é mestre em relações internacionais (Universidade de Essesx) e sócia-diretora do INCIDE – Instituto de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento. Integrante do Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais/GR-RI
Diego Pautasso é doutor em Ciência Política (UFRGS) e professor de Relações Internacionais da UNISINOS
Cláudio Puty é Ph.D. em economia (New School for Social Reserch), professor da UFPA e professor visitante da University of International Business and Economics/Pequim